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sábado, 23 de agosto de 2014

Faroeste, de novo


Este mapa mostra a BR-163, a Santarém-Cuiabá. Os quadros maiores, circundados de branco, são ampliações dos quadrados vermelhos. O mapa, processado e divulgado pelo Greenpeace, é do monitoramento de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais – o INPE e é deste agosto.


O incêndio que percorre a estrada, com pavimentação em fase de conclusão, assinala o furor da chegada de uma frente econômica – uma assim chamada frente de penetração nacional, que na verdade é apenas mais uma bandeira. Bandeira, de bandeirante, aquele antigo sistema colonial de “conquista do sertão”. É o início, agora no sudoeste paraense, do que aconteceu no sudeste: um faroeste, com direito a bangue-bangue, conflitos com índios, corrida de ouro e guerra por terras.

Há mais de uma década foi realizado um alentado relatório de impacto dessa estrada. Ela tem como característica principal estar num corredor ladeado por terras indígenas e reservas ambientais – tudo sob tutela do governo federal, naturalmente. E, como ela é uma estrada federal, também o meio desse corredor agora está sob controle da União. E, no entanto, das recomendações do alentado relatório não foi feito nada para impedir o que começa a acontecer com os incêndios que, segundo a monitoria, aumentaram em quase 300%.

Mal se respira em Novo Progresso, informa o jornal local. Na rede de estradinhas que se tece a partir do eixo da BR repete-se o ciclo: desmate, queima, pastagem e, agora, plantio em escala. O agronegócio avança, completamente descontrolado porque o poder regulador, o governo federal, não fez nada, nem para demarcar a caminhada, nem para coibir os excessos, nem para proteger o que está sob sua guarda: os tutelados diretos, os indígenas e a natureza, e as pessoas que integram essa bandeira ou que lá já residiam.

Teremos um novo faroeste, um novo episódio do tratamento que o Pará recebe da União: o de colônia a ser explorada, que, mais uma vez, vai pagar o preço de ser uma reserva rica a ser saqueada.