Minha amiga me olhou furiosa quando lhe disse que não acreditava que o sistema de saúde de Cuba fosse o melhor do mundo. “Simples lógica – eu lhe disse – eu não conheço os números, mas os países nórdicos têm muito mais de tudo para ter um sistema melhor. E tenho a impressão que por lá as pessoas vivem mais tempo, e com uma boa qualidade de vida”. Ela então disse que eu estava esquecendo do embargo econômico. E aí seguiu-se um discurso que ouço desde meados do século passado. Eu não discuto mais essas coisas; é inútil. Para muitos brasileiros, Cuba é uma questão de paixão. Tipo Flamengo.
Para mim, Cuba foi uma referência nos primeiros anos de vida adulta. Eu li tudo o que pude sobre a ilha, a revolução, Fulgencio Batista, os americanos, até mesmo a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, que começou em Havana. Mas os anos se passavam, e Fidel Castro continuava no poder. Depois veio Kennedy e o episódio da baía dos Porcos. O que me chocou naquele episódio foi o armamento atômico posto em Cuba pelos soviéticos. Foi minha primeira decepção – como Fidel Castro pôde permitir uma tal exposição do povo cubano?
Nesse meio tempo, um outro fato contribuía para aluir minha referência. O banho de sangue chileno, na instalação da ditadura por lá. Quando Fidel assumiu, os fuzilamentos em massa comandados por Che Guevara nos chegavam tingidos de idealismo. Anos depois, quando Allende morreu no palácio incendiado, e os chilenos viviam os fuzilamentos em massa, eu compreendi de repente o que Fidel fizera em Cuba. O paredón crivado de balas atrás das pessoas vendadas era igual.
Vinham notícias pelas vias clandestinas: ah, o povo cubano adora Fidel! E eu pensava: os portugueses também adoram Salazar! Porque Salazar comparado a Fidel? Por uma questão de escala: Cuba e Portugal têm quase o mesmo tamanho – cerca de 100 mil metros quadrados – uma população equivalente, e, embora Portugal não seja uma ilha, depende do mar para tudo – ou tem que pedir licença para a Espanha. E por uma questão de semelhança política: Fidel e Salazar chegaram ao poder pela via militar, e ambos foram implacáveis com os adversários; ambos fizeram belíssimas reformas educacionais e colocaram os sistemas de saúde em dia; ambos censuraram tudo o que puderam, de anúncios a tratados técnicos. Ambos eram intransigentes defensores de uma causa: Fidel, a de Cuba socialista; Salazar, a de Portugal imperialista. Ao final, ambos governaram por quase meio século. E todos dois nunca pararam de falar em democracia... de extrema esquerda, o primeiro; de extrema direita, o segundo. E eu sei que as paralelas se encontram em algum lugar.
E, depois, os auto-exilados cubanos, povoando a Flórida. E os protestos contra o embargo comercial norte-americano – imposto, aliás, pelo Congresso dos Estados Unidos. Mas os soviéticos suprem Cuba! – eu pensava. Eram de 4 a 6 bilhões de dólares por ano em subsídios embutidos em preços irrisórios e cooperação gratuita. Cuba nunca teve que pagar caro combustível, nem com o choque do petróleo. Quando a fonte secou, com a queda do império soviético, a Venezuela e a China tentaram manter o dinheiro correndo. Era muito menos, mas, ainda assim, um ou dois bilhões de dólares anuais, representam uma considerável injeção de dinheiro sem encargos.
Cuba tem área equivalente à do Estado de Pernambuco. Em 2009, a estimativa da população residente em Pernambuco era de cerca de 9 milhões de pessoas; em Cuba, 11 milhões. O orçamento de 2009 em Pernambuco foi equivalente a 12 bilhões de dólares; podemos agregar aí algo entre 2 a 3 bilhões, oriundos de recursos da União aplicados diretamente no Estado. O orçamento de Cuba, a 47 bilhões. (Fontes: sites oficiais da Fazenda cubana e do governo pernambucano). Cuba não é, pois, tão pobrezinha assim: por pessoa, Cuba pode gastar cerca de 4.200 dólares por ano; Pernambuco, 1.700 dólares por ano. É óbvio que esta comparação não tem rigor acadêmico: faço-a apenas para estabelecer um paralelo com algo mais próximo de nós. Se compararmos o orçamento de Cuba ao de Portugal, a discrepância é brutal: em 2009, Portugal orçou 161 bilhões de euros – ao câmbio de 1,46, algo em torno de 230 bilhões de dólares. Pobre Pernambuco!
Desculpem a chatice dos dois parágrafos anteriores, mas é preciso sempre dar uma olhada nos números, porque são eles que confirmam – ou não – os discursos e as intenções dos governantes.
Sim, e depois? A guerra fria terminou. Ondas democráticas substituíram o duro chão das ditaduras sul-americanas. Os países começaram a navegar: anistias, julgamentos, pensamento aberto, perdão, reparação. Comunistas hastearam suas bandeiras por todo o continente, livres enfim de quase um século de perseguição. Todos navegam, menos Cuba. Nenhuma mão estendida para a solução dos impasses: ano após ano, Fidel cobra contas como se o fato de o mundo todo não estar contra os Estados Unidos fosse suficiente para ser devedor de Cuba.
Aí Fidel sai do governo. Ainda como Salazar, unge um herdeiro. Um golpe militar derrubou o herdeiro salazarista, e os cravos sinalizaram uma nova época para Portugal. O herdeiro fidelista continua. Relatórios insuspeitos mostram a piora da condição nutricional da população (OMS), aumento da mortalidade, a redução da produção cubana (ainda ONU) e etc – um nítido caminho para o esfacelamento. Minha amiga dirá: Culpa do embargo!
Mas este bordão não cola mais. Cuba, que desde os anos 90 comercia com o mundo todo – exceto os Estados Unidos – não consegue mais aguentar a fachada socialista. Os dirigentes latino-americanos sabem disso, e cada qual do seu lado, aproximam-se para conquistar um espaço na mudança que virá rapidamente. E foi isso o que Lula foi fazer em Cuba: negociar, entrar num mercado prestes a se abrir: o financiamento de um porto de 300 milhões de dólares, uma fábrica da Petrobrás por lá, disputando espaço com a Venezuela e com o México... Não sabiam? Pois é, o governo brasileiro não explica direito. Mas os estrangeiros estão de olho, e foi ninguém menos que Mário Vargas Llosa quem informou a agenda lulista.
Nada demais, digo eu e dizem vocês, ele está no seu papel.
Pois é. Mas o caso é que havia um morto e 84 famintos presos políticos no caminho. Eles pediram ajuda a Lula. E Lula recusou. Razões de Estado? Que razões são essas, meu Deus, que se alicerçam em cadáveres? Em que é proibida a caridade de uma esperança? Aqueles homens não são assassinos, nem ladrões, nem pedófilos ou estupradores. Eles defendem uma causa e se imolam por ela. São presos de consciência, porque há, sim, uma ditadura em Cuba.
Este presidente, que foi e está sendo incapaz de socorrer corretamente o Haiti, avança sobre Cuba em busca de lucros pisoteando liberdades. E se diz estadista... Para mim, ele virou um Bush barbado – deixou os escrúpulos, a vergonha e a consciência em algum lugar no passado.
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sábado, 13 de março de 2010
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
O suspeito suspeita
Zé Dirceu suspeita do Supremo Tribunal Federal. Fala em ditadura da mídia. Diz que não encontrou nenhum indício de crime que tenha cometido. Verdade! Ele não tem pecados, porque os mandamentos que cumpre são bem diferentes dos que cumprem os comuns mortais; ele não tem crime, porque lei que Zé Dirceu respeite ainda está por ser feita. Zé acredita piamente que os fins justificam os meios, e que ninguém deve questionar meio nenhum, somente resultados.
Diz o povo que pau que nasce torto morre torto, e quem nasceu tatu, morre cavando. Zé Dirceu nasceu arrogante. Vai morrer assim. Ele, o suspeito, suspeita dos juízes porque o indiciaram, como a qualquer outro. Como é que juízes vão indiciar um sangue-azul da burocracia? Erro crasso, esse... Ainda bem que o cargo de ministro do Supremo é vitalício. Porque não vai demorar muito para ser apresentado um projeto de lei extinguindo a vitaliciedade desses cargos, para tornar seus ocupantes maleáveis.
Dirceu trabalhou duro para ser o herdeiro de Lula. Ainda acredita que possa, talvez porque a força do mensalão vai para além das medidas repressivas. Para isso, precisa silenciar os adversários, os críticos, e, sobretudo, os jornalistas que vêem demais e conta o que conseguem ver. Então ele fala de ditadura de mídia, preparando terreno para censura – será a terceira tentativa, neste governo que se diz essencialmente democrático, mas que é fundamentalmente sindical.
E sindicato funciona baseado na covardia da maioria, no comodismo e na inércia da categoria. Raramente uma assembléia sindical consegue reunir mais que 10% dos integrantes de sua base. Os dirigentes pintam e bordam – a Justiça do Trabalho tem demandas contra os sindicatos aos montes, porque eles logram seus empregados tanto ou mais que os patrões-empresários – e a maioria diz que não se mete, mas não abre mão de ganhos eventualmente alcançados. Auditorias nos sindicatos já revelaram fraudes e desvios de dinheiro em quantidade – para campanhas eleitorais, inclusive, sob a alegação de que é necessário “um representante da classe”. As críticas são respondidas a pedradas, às vezes no sentido literal da expressão.
Esse é o mundo de Zé Dirceu, e, por isso, ele está perplexo: com o mensalão, não fez nada mais do que sempre fez e foi feito na política sindical, de onde se originam todos eles. Manipular, comprar, subornar, agredir e mentir – tudo vale para conseguir os fins, e, embora os fins de um sindicato geralmente sejam conhecidos, quem é que conhece as finalidades do governo Lula?
O suspeito suspeita. Mas suspeitamos nós dessa suspeita, que destila veneno contra a imprensa e contra o Judiciário. O arrogante Zé repete um discurso que se ouviu muito há quarenta anos, nos preparativos do golpe militar de 64: a imprensa se excede, o judiciário não julga corretamente.
Provavelmente ele o repete sem querer. É que os mecanismos autoritários são os mesmos, sempre, quer seja o rumo à esquerda, quer seja o rumo à direita. Nem toda a arrogância do mundo muda isso.
Diz o povo que pau que nasce torto morre torto, e quem nasceu tatu, morre cavando. Zé Dirceu nasceu arrogante. Vai morrer assim. Ele, o suspeito, suspeita dos juízes porque o indiciaram, como a qualquer outro. Como é que juízes vão indiciar um sangue-azul da burocracia? Erro crasso, esse... Ainda bem que o cargo de ministro do Supremo é vitalício. Porque não vai demorar muito para ser apresentado um projeto de lei extinguindo a vitaliciedade desses cargos, para tornar seus ocupantes maleáveis.
Dirceu trabalhou duro para ser o herdeiro de Lula. Ainda acredita que possa, talvez porque a força do mensalão vai para além das medidas repressivas. Para isso, precisa silenciar os adversários, os críticos, e, sobretudo, os jornalistas que vêem demais e conta o que conseguem ver. Então ele fala de ditadura de mídia, preparando terreno para censura – será a terceira tentativa, neste governo que se diz essencialmente democrático, mas que é fundamentalmente sindical.
E sindicato funciona baseado na covardia da maioria, no comodismo e na inércia da categoria. Raramente uma assembléia sindical consegue reunir mais que 10% dos integrantes de sua base. Os dirigentes pintam e bordam – a Justiça do Trabalho tem demandas contra os sindicatos aos montes, porque eles logram seus empregados tanto ou mais que os patrões-empresários – e a maioria diz que não se mete, mas não abre mão de ganhos eventualmente alcançados. Auditorias nos sindicatos já revelaram fraudes e desvios de dinheiro em quantidade – para campanhas eleitorais, inclusive, sob a alegação de que é necessário “um representante da classe”. As críticas são respondidas a pedradas, às vezes no sentido literal da expressão.
Esse é o mundo de Zé Dirceu, e, por isso, ele está perplexo: com o mensalão, não fez nada mais do que sempre fez e foi feito na política sindical, de onde se originam todos eles. Manipular, comprar, subornar, agredir e mentir – tudo vale para conseguir os fins, e, embora os fins de um sindicato geralmente sejam conhecidos, quem é que conhece as finalidades do governo Lula?
O suspeito suspeita. Mas suspeitamos nós dessa suspeita, que destila veneno contra a imprensa e contra o Judiciário. O arrogante Zé repete um discurso que se ouviu muito há quarenta anos, nos preparativos do golpe militar de 64: a imprensa se excede, o judiciário não julga corretamente.
Provavelmente ele o repete sem querer. É que os mecanismos autoritários são os mesmos, sempre, quer seja o rumo à esquerda, quer seja o rumo à direita. Nem toda a arrogância do mundo muda isso.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
O livreiro e o silêncio
Volto a “O Livreiro de Cabul” porque há um mérito nesse livro que somente um outro jornalista, este italiano, consegue dividir: como em “Kapput” e “A pele”, de Curzio Malaparte, a história de uma guerra é contada a partir do sofrimento das pessoas que não estão nas linhas de frente, mas nas cidades arrasadas, nos campos queimados, nos rios poluídos, e tentam desesperadamente sobreviver e manter a esperança.
Malaparte vai mais fundo que Asne Seierstad: ele retrata também o desmantelamento moral de um sociedade a partir da violência da guerra. Por isso, seus livros provocam um choque: a face oculta das conquistas militares está toda ali.
É inevitável a expressão de horror ao fim dessas leituras, e uma pergunta surge naturalmente: como isso aconteceu, como chegou a esse ponto?
Guerras são frutos, elas amadurecem aos poucos. Elas derivam de situações críticas, de problemas cujas soluções foram adiadas por longo tempo. Elas contam com a cumplicidade da sociedade, e principalmente com a falta de perspectivas para os jovens adultos. Contam com as ambições desenfreadas, com a cobiça e com o medo.
E contam, sobretudo, com a censura de informações.
Não há guerra que tenha acontecido que não tenha sido antecedida por mecanismos de censura sobre a imprensa e a liberdade de expressão. A censura é o útero das guerras, sejam civis, sejam puramente militares.
Eis porque a decisão de Chávez, na Venezuela, de revogar uma concessão para uma emissora oposicionista, sem que esta tenha dado causa objetiva, ou seja, sem que ela tenha deixado de cumprir as exigências da concessão, é tão grave. Se somarmos a essa medida o fato de que Chávez substituiu a emissora por uma oficial, e que anunciou a organização de um superpartido político, não é difícil ver a repetição da estratégia política de Salazar, Franco, Hitler, Stálin, Fidel Castro, Getúlio Vargas e outros.
O caminho é um só, usar a plataforma eleitoral para uma ditatura, que pode até mudar de ditador, como na história recente do Brasil, e na antiga Roma, mas que é ditatura de qualquer maneira.
E não adianta colorir o quadro com o cor-de-rosa da “revolução popular”. Ditaduras não têm ideologia: as pessoas se tornam “povo”, ou “massa”. Desaparecem os rostos marcados pela necessidade, a dor individual descrita por Seierstad e Malaparte, para dar lugar a um ente difuso e abstrato, em nome do qual se justificam todas as violências praticadas em favor da “causa”, da “bandeira”, do “objetivo”, da “finalidade”.
Bem, isto acontece na Venezuela - poderão dizer alguns. Mas nenhum país é mais solitário, neste acelerado processo de globalização que vivemos, embora o presidente do Brasil diga que cada qual deve cuidar do seu território e ponto final. Nem Brasil nem Venezuela prescindem dos consumidores estrangeiros – e, se somos democratas, temos que ouvi-los e prestar atenção no que acontece com eles. Mais, ainda: a solidariedade é fundamental entre os povos, se queremos paz. E solidariedade também faz pressão contra uma autoridade que esteja tomando um rumo que a maioria não aceita.
É provável que o abuso de Chávez, agora cometido contra a imprensa, esteja calçado em milhares de abusos menores, cometidos contra Marías e Pacos, porque, se não fosse assim, talvez não se sustentasse politicamente. O que significa dizer que a ditadura já lançou suas raízes no país vizinho. Questão de tempo produzir seu fruto de violência, a guerra, qualquer que seja ela.
Malaparte vai mais fundo que Asne Seierstad: ele retrata também o desmantelamento moral de um sociedade a partir da violência da guerra. Por isso, seus livros provocam um choque: a face oculta das conquistas militares está toda ali.
É inevitável a expressão de horror ao fim dessas leituras, e uma pergunta surge naturalmente: como isso aconteceu, como chegou a esse ponto?
Guerras são frutos, elas amadurecem aos poucos. Elas derivam de situações críticas, de problemas cujas soluções foram adiadas por longo tempo. Elas contam com a cumplicidade da sociedade, e principalmente com a falta de perspectivas para os jovens adultos. Contam com as ambições desenfreadas, com a cobiça e com o medo.
E contam, sobretudo, com a censura de informações.
Não há guerra que tenha acontecido que não tenha sido antecedida por mecanismos de censura sobre a imprensa e a liberdade de expressão. A censura é o útero das guerras, sejam civis, sejam puramente militares.
Eis porque a decisão de Chávez, na Venezuela, de revogar uma concessão para uma emissora oposicionista, sem que esta tenha dado causa objetiva, ou seja, sem que ela tenha deixado de cumprir as exigências da concessão, é tão grave. Se somarmos a essa medida o fato de que Chávez substituiu a emissora por uma oficial, e que anunciou a organização de um superpartido político, não é difícil ver a repetição da estratégia política de Salazar, Franco, Hitler, Stálin, Fidel Castro, Getúlio Vargas e outros.
O caminho é um só, usar a plataforma eleitoral para uma ditatura, que pode até mudar de ditador, como na história recente do Brasil, e na antiga Roma, mas que é ditatura de qualquer maneira.
E não adianta colorir o quadro com o cor-de-rosa da “revolução popular”. Ditaduras não têm ideologia: as pessoas se tornam “povo”, ou “massa”. Desaparecem os rostos marcados pela necessidade, a dor individual descrita por Seierstad e Malaparte, para dar lugar a um ente difuso e abstrato, em nome do qual se justificam todas as violências praticadas em favor da “causa”, da “bandeira”, do “objetivo”, da “finalidade”.
Bem, isto acontece na Venezuela - poderão dizer alguns. Mas nenhum país é mais solitário, neste acelerado processo de globalização que vivemos, embora o presidente do Brasil diga que cada qual deve cuidar do seu território e ponto final. Nem Brasil nem Venezuela prescindem dos consumidores estrangeiros – e, se somos democratas, temos que ouvi-los e prestar atenção no que acontece com eles. Mais, ainda: a solidariedade é fundamental entre os povos, se queremos paz. E solidariedade também faz pressão contra uma autoridade que esteja tomando um rumo que a maioria não aceita.
É provável que o abuso de Chávez, agora cometido contra a imprensa, esteja calçado em milhares de abusos menores, cometidos contra Marías e Pacos, porque, se não fosse assim, talvez não se sustentasse politicamente. O que significa dizer que a ditadura já lançou suas raízes no país vizinho. Questão de tempo produzir seu fruto de violência, a guerra, qualquer que seja ela.
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