segunda-feira, 30 de julho de 2007

O ouro será olímpico?

As 54 medalhas obtidas no pan-americano parecem ter desencantado o esporte brasileiro, acenando com perspectivas novas. Mas há alguns pontos a ponderar, antes que se criem expectativas exageradas para as Olimpíadas.

O primeiro ponto é o fato de que, sendo os jogos no Brasil, é mais barato para os atletas brasileiros participarem. Por exemplo: dificilmente Marreco conseguiria ir para outro país, às suas próprias custas. Ele não tem patrocinador, nem qualquer entidade esportiva admitiria custear o deslocamento do atleta e mais aluguel de lancha, piloto e combustível para treinamentos e provas. Um ouro a menos.

O dinheiro também fez diferença na natação, no judô e na ginástica: as três modalidades contam com financiamentos constantes de empresas, desde a criação do sistema de incentivos, ainda no governo Fernando Henrique. São vinte anos de maturação – e, no caso do judô, as coisas só começaram a andar depois que Aurélio Miguel ganhou a luta fora do tatami, contra os Mamede, que dominaram e estagnaram o judô durante décadas no Brasil.

Por outro lado, os bons resultados da publicidade aplicada ao esporte permitiram ainda que as emissoras de rádio e tevê, até vinte anos atrás totalmente viciadas em futebol, abrissem espaço para os outros esportes. Elas abrem os espaços movida a anúncios pagos. Galvão Bueno sabe disso, e foi por isso que fez aquela palhaçada de “implorar para que alguém faça alguma coisa pelo futebol feminino”. A tevê não dará espaço para o futebol feminino a menos que alguém cubra a mídia. Além disso, as estruturas de rede nacional nas televisões, com seus leoninos contratos em as afiliadas, impedem as iniciativas locais (o afiliado deve indenizar a emissora-líder pelo uso de tempo fora da programação nacionalmente pré-formatada). Quem se atreve?

Assim, o que começa agora a ser estruturado vai precisar de tempo para ver resultados acontecerem. Mas vão acontecer resultados bons: os parques aquáticos são cada vez mais numerosos em todo o país, os complexos de atletismo, também. O país está menos pobre, o que permite à classe média reservar recursos para pagar aulas, que é o que mantém funcionando a estrutura esportiva amadora, de onde saem os profissionais. O caro tênis já existe em todo o país, e toda uma geração caminha, corre e malha, valorizando com isso o esforço atlético.

Faltariam entretanto algumas medidas para acelerar o processo. A primeira delas refere-se ao uso dos recursos das Loterias, e implica em que o Ministério da Educação se mexa, para refazer e reestruturar toda a área de educação física escolar, acabando com as aulas ridículas e odiadas pelos estudantes e promovendo o esporte nas escolas – de preferência em associação com os clubes e as organizações comunitárias, de forma a otimizar a aplicação de recursos. Eu até hoje não entendo porque pequenos estádios (ou campos) de futebol do interior ficam vazios enquanto os alunos da rede escolar fazem uma pseudo-educação física em sala de aula...

Essas medidas são de governo e não envolvem gastos novos – antes, envolvem o bom uso de um dinheiro que hoje é extremamente mal aplicado.

Outra medida é a adequação escolar ao jovem talento esportivo. Hoje, um atleta de treze ou catorze anos tem que optar entre estudar e treinar. E um de dezesseis ou dezessete, entre treinar e trabalhar. Não precisa ser assim, e nem deve. Neste governo de tantas bolsas demagógicas, a bolsa esportiva foi ignorada totalmente. E a adequação do ensino a um adolescente diferenciado pela própria natureza, nem sequer cogitada.

Finalmente, um último ponto a ponderar: Fidel Castro está no ocaso, arrastando Cuba junto consigo. O Brasil preencheu o vácuo cubano em âmbito latino-americano, mas dificilmente fará o mesmo em âmbito olímpico. Basta conferir as diferenças de marcas nos vários esportes...

Um comentário:

Michele disse...

Olá

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Obrigada


Michele - michele@caquicom.com